Do Jogo do Bicho às Bets: uma análise sociojurídica sobre os jogos de apostas no Brasil

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DOI:

https://doi.org/10.21727/rm.v17i1.5594

Resumo

O presente trabalho propõe uma análise sociojurídica sobre os jogos de apostas no Brasil, desde suas origens históricas até a recente regulamentação das apostas esportivas online. Inicia-se pela contextualização dos jogos de azar como práticas culturais e sociais presentes desde o período colonial, com destaque para o jogo do bicho, criado no século XIX e consolidado como elemento da cultura popular, ainda que marginalizado pela legislação. Em seguida, examina-se a evolução legislativa brasileira, que historicamente oscilou entre permissividade e repressão, com a proibição dos cassinos em 1946 e a recente autorização das apostas esportivas de quota fixa pela Lei nº 13.756/2018 e sua regulamentação pela Lei nº 14.790/2023. A pesquisa também aborda a chegada das bets ao Brasil, impulsionadas pela internet e pela ausência de regulação específica até 2023, além da intensa atuação de influenciadores digitais e do patrocínio de clubes esportivos, o que contribuiu para a popularização dessas plataformas e para a normalização social das apostas online. No plano normativo, o estudo detalha o ordenamento jurídico aplicável, evidenciando a seletividade legal no tratamento das diferentes modalidades de jogos de azar e o contraste entre a permanência da criminalização do jogo do bicho e a legalização das bets. O trabalho ainda discute os impactos sociais, econômicos e jurídicos das apostas, destacando o crescimento da ludopatia, os riscos associados à publicidade enganosa e à exploração de públicos vulneráveis, e os desafios éticos impostos pela midiatização massiva do setor. Por fim, propõe-se a necessidade de um modelo regulatório mais equilibrado, que não apenas contemple interesses econômicos, mas que também assegure a proteção dos consumidores, a prevenção de práticas abusivas e a promoção da equidade social diante das novas dinâmicas de consumo e entretenimento digital no Brasil.

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Biografia do Autor

Gabriel Silva Rezende, Faculdade de Miguel Pereira (FAMIPE)

Doutor em Ciências Sociais (Ciência Política, Sociologia e Antropologia) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Mestre em Sociologia Política (Sociologia e Ciência Política) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), bem como é Bacharel em Relações Internacionais pelo Departamento de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Candido Mendes (UCAM). É Professor Adjunto da Faculdade de Miguel Pereira (FAMIPE), Supervisor de Pesquisa da Coordenação de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FAMIPE e Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Federalismo, Política e Desenvolvimento (NUFEPD/PUC-Rio), cadastrado no CNPq. Foi bolsista de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e bolsista de Mestrado e Doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras (RJ), onde ocupa a cadeira 26, cujo patrono é Machado Sobrinho. Atua nas áreas de Ciência Política, Relações Internacionais, Sociologia Política, Sociologia Jurídica, Antropologia Jurídica, Economia Política, Metodologia Científica, Estado e Direito Econômico, Políticas Públicas e Teoria Geral do Estado. 

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Publicado

01-07-2026

Edição

Seção

Artigos de Demanda Contínua